Rafael Pascon dos Santos, que atuava em uma clínica particular de Marília (SP) e no Caps de Garça (SP), foi detido na tarde da quarta-feira (22). Denúncias contra o suspeito chegam a 20.
Da redação
O médico psiquiatra suspeito de abuso sexual e estupro foi detido preventivamente na tarde da quarta-feira, 22/10, em Marília/SP, depois de diligências realizadas através da Polícia Civil em sua casa e consultório, mas ele não foi localiza do. No mesmo dia, por volta de 16h, Rafael Pascon dos Santos se apresentou voluntariamente na Central de Polícia Judiciária (CPJ), onde a ordem de prisão foi formalizada.
Imagem: Marília Notícias
O pedido de prisão preventiva foi solicitado através da DDM de Marília, onde se concentra a maior parte das denúncias, e aceito através da Justiça baseado na representação da delegada Darlene Costa Tosin, que apontou risco de interferência nas investigações e provável coação de vítimas e testemunhas.
O profissional, que atuava em uma clínica particular de Marília e no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Garça/SP, é alvo de através do menos 20 denúncias registradas nas delegacias especializadas dos dois municípios.
Segundo matéria da TV Tem, a Prefeitura de Garça explicou em nota que pediu o afastamento do médico depois de a difusão das denúncias, na quinta-feira, 16/10, encaminhando um pedido formal até a conclusão das investigações.
Conforme consta no documento, o departamento jurídico da associação da qual o médico é contratado informou que determinou a rescisão do contrato de trabalho do suspeito.
Em informe oficial, a defesa do acusado explicou que “manifesta sua profunda perplexidade diante da decretação de sua prisão preventiva, medida extrema e absolutamente desnecessária, especialmente considerando que o investigado sempre se colocou à inteira disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos”.
Além de tudo, alegou que Rafael Pascon é inocente das acusações, e que a Justiça irá reconhecer a inexistência de elementos concretos que justifiquem a prisão e restabelecerá sua liberdade.
Depois de as seis primeiras vítimas denunciarem o médico psiquiatra na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Marília, um novo registro foi feito por uma paciente que afirma ter sido estuprada através do profissional.
Em entrevista à TV TEM, a vítima, que preferiu não se reconhecer, relatou que o abuso iniciou no começo da consulta, realizada no consultório particular do suspeito, no mês de agosto de 2024, quando o médico a chamou de “gostosa”.
“Quando ele foi colocar meu nome na agenda, na recepção, ele me deu um abraço e sussurrou alguma coisa no meu ouvido que eu não entendi, me levou de volta para a sala dele e me estuprou. A maior parte do tempo eu realmente travei e fiquei em choque e com medo de fazer alguma coisa, porque estava de noite e o consultório estava vazio. Fiquei com muito medo”, relatou.
Além de tudo, alegou tentar esquecer o que ocorreu, mas, depois de as denúncias das seis vítimas, decidiu prestar depoimento também.
“É um pesadelo que parece que vivi. Por muito tempo eu me silenciei e tentei esquecer, mas uma mulher foi corajosa o suficiente para denunciar e fez com que tudo, infelizmente, voltasse à tona de novo para mim. Eu fui atrás de denunciar também para conseguir colocar, talvez, um fim em alguma parte disso.”
Casos em Garça
Segundo Renata Yumi Ono, delegada da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Garça, uma das vítimas, de 65 anos, relatou que os abusos aconteceram em 2018, durante consultas no Caps da cidade.
Ela afirmou que o profissional iniciou a ter comportamentos inapropriados, como abraços e gestos de intimidade, e que, em uma das consultas, chegou a segurá-la contra o corpo e a encostar a boca em seu pescoço para “inalar o seu perfume”.
O segundo registro é de uma mulher de 43 anos, que contou ter sido beijada à força através do mesmo profissional durante uma consulta em 2022. A vítima explicou ter ficado em estado de choque e interrompido o acompanhamento médico depois de o episódio.
Outra vítima de Garça registrou boletim de ocorrência na DDM na sexta-feira, 17, depois de a difusão dos casos. A jovem, atualmente com 24 anos, explicou à polícia que passou através do atendimento no Caps em 2018, quando tinha 17 anos.
De acordo com a delegada, a jovem não denunciou o caso na época por não compreender a gravidade do fato, mas, ao notar que existiam outras vítimas, resolveu procurar a polícia. O caso foi registrado como importunação sexual.
No relato, a jovem explicou que a mãe costumava acompanhá-la nas consultas, mas, em uma ocasião, precisou começar o atendimento sem a presença dela. Neste dia, segundo ela, o médico mudou o comportamento e iniciou a fazer perguntas íntimas e, ao final da consulta, a acompanhou até a porta e a puxou através do punho e beijou o canto de sua boca.
Depois do acontecido, a jovem ainda voltou duas vezes a consultas por motivo da necessidade da medicação, uma delas com um amigo (e relatou que o médico ficou bastante incomodado com a presença dele), e depois exclusivamente para retirada da receita do remédio.
Na mesma sexta-feira, uma mulher de 41 anos também registrou um boletim de ocorrência contra o médico em Garça. A vítima prestou depoimento à polícia na Delegacia de Defesa da Mulher da cidade.
De acordo com a Polícia Civil, a mulher decidiu registrar o boletim de ocorrência depois de assistir a reportagens a respeito de outros casos denunciados na município vizinho, incluindo uma denúncia de estupro.
De acordo com o relato, o abuso ocorreu no final de 2024, em uma das consultas no Caps de Garça, onde o profissional também atuava.
A vítima contou que, ao voltar ao consultório para pedir um atestado, o médico fez comentários inapropriados sobre sua aparência, como: “você está bonita, está gostosa”, e, em seguida, a segurou contra a mesa, tentou beijá-la, passou a mão por baixo de sua saia e mexeu em seu cinto. Ela conseguiu se desvencilhar e correu para o carro.
Na consulta seguinte ao abuso, ele chegou a dizer: “Eu queria colocar minha boca entre as suas pernas, mas você saiu correndo”. A contar desse episódio, ainda conforme a Polícia Civil, o estado psicológico da vítima ficou grave, resultando em crises intensas, aumento da medicação e até um episódio de surto psicótico no trabalho.
No entanto, apesar do medo e em razão da dependência de receitas médicas para sua medicação, a vítima continuou com os atendimentos, impedindo qualquer contato físico com o médico.
Veja entrevista com a Delegada Darlene Rocha Costa Tosin:
Com informações de Jornal Negocião


