Rafael Pascon dos Santos fica detido, acusado de crimes sexuais; defesa nega todos os casos (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia)
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) instaurou uma sindicância para apurar a conduta do psiquiatra Rafael Pascon dos Santos, detido preventivamente na última quarta-feira (22), sob suspeita de praticar crimes sexuais contra pacientes em Marília, Garça e Lins.
Em informe, o órgão informou que “o caso corre sob sigilo determinado por lei”. Pascon é investigado em mais de 20 casos de importunação sexual e dois estupros, conforme informações da Polícia Civil. As denúncias envolvem atendimentos realizados em unidades públicas de saúde nas três cidades.
A prisão foi decretada através da Justiça depois de várias relatos de mulheres que procuraram a polícia alegando terem sido vítimas de condutas de natureza sexual durante consultas psiquiátricas.
Nos últimos dias, três novas denúncias foram registradas — uma em Marília e duas em Garça —, ampliando o número de relatos sob investigação e reforçando, segundo a Polícia Civil, um padrão de comportamento semelhante descrito nos boletins de ocorrência anteriores.
Em Garça, uma das novas denunciantes, reconhecida através da corporação como a sexta mulher a registrar boletim de ocorrência no município, informou ser paciente do Centro de Atenção Psicossocial (Caps).
No depoimento, ela afirmou que o médico teria adotado comportamentos inapropriados desde o começo do tratamento, incluindo toques e beijos sem consentimento, além de supostamente exibir os órgãos genitais e fazer comentários de cunho sexual durante uma consulta em 2025.
A mulher declarou ainda que interrompeu o acompanhamento médico depois de o episódio e buscou outra unidade de saúde. Explicou também que demorou a procurar a polícia por temer represálias e por depender de laudos clínicos emitidos através do próprio psiquiatra, usados para comprovar sua condição e manter a guarda das filhas.
Outra paciente de Garça, considerada através da Polícia Civil a sétima pessoa a registrar ocorrência, relatou ter sido submetida a atos libidinosos sem consentimento durante três atendimentos psiquiátricos em 2023. Ela afirmou que o médico teria feito toques físicos e tentativas de desabotoar suas roupas, mas que teria continuado o tratamento por necessidade, passando depois a apresentar-se às consultas seguida de familiares para impedir novas situações de constrangimento.
A Polícia Civil continua colhendo depoimentos e reunindo provas para instruir o inquérito. O médico se mantém detido preventivamente e responderá às investigações pelos crimes de importunação sexual e estupro, com agravantes previstos através da relação de confiança entre médico e paciente, conforme tipificação legal.
O Cremesp informou que acompanha o caso em sindicância interna, mas que não pode divulgar detalhes em razão do sigilo legal.
Defesa contesta prisão e nega acusações
A defesa de Rafael Pascon dos Santos enviou nota ao Marília Notícia em que critica a decisão e nega todas as acusações, afirmando confiar que a Justiça reconhecerá a inexistência de elementos que justifiquem a prisão. Leia abaixo na íntegra.
“A defesa do Dr. Rafael Pascon manifesta sua profunda perplexidade diante da decretação de sua prisão preventiva, medida extrema e absolutamente desnecessária, particularmente julgando que o investigado sempre se colocou à inteira disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos.
Reafirmamos, de forma categórica, que o Dr. Rafael Pascon é inocente das acusações que lhe têm sido imputadas e que jamais se furtou à investigação. Até o presente momento, ele sequer foi formalmente ouvido, o que demonstra a total falta de razoabilidade na adoção de medida tão gravosa.
A defesa confia que, com a análise técnica e parcimoniosa do caso, a Justiça reconhecerá a inexistência de elementos concretos que justifiquem a prisão e restabelecerá sua liberdade, permitindo que ele responda às apurações de forma digna e em respeito aos princípios constitucionais da presunção de inocência e do devido processo legal.
Por final, reafirmamos nosso comprometimento com a verdade e com a Justiça, certos de que os fatos serão devidamente esclarecidos e a inocência do Dr. Rafael Pascon restará plenamente demonstrada.”
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Cremesp abre sindicância para apurar denúncias contra psiquiatra
Com informações de MariliaNoticia


