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Febre reborn: onda de bonecas realistas podem alimentar a pedofilia?

17 de maio de 2025
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Febre reborn: onda de bonecas realistas podem alimentar a pedofilia?
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Um comentário de cunho pedófilo postado na rede social TikTok provocou muita revolta e indignação entre os internautas nos últimos dias. Na publicação, um usuário da plataforma questiona se uma boneca bebê reborn tem “buraco”, insinuando supostamente a possibilidade de ter relações sexuais com o brinquedo que virou febre no Brasil e no mundo.

O comentário foi mostrado no perfil de Rebornsofjess, uma criadora de conteúdos sobre bebês reborn que contabiliza mais de 13 mil seguidores no Instagram e 425 mil na plataforma de vídeos curtos. Neste vídeo, ela repreende a pergunta e se revolta com o caso. Além de tudo, o comentário recebeu diversas denúncias e produziu debates sobre a necessidade de monitorar comentários e conteúdos abusivos que ocorrem sobre o produto.

“Has the doll a hole? (A boneca tem algum buraco?)”, diz o comentário mostrado no vídeo da influenciadora de conteúdos.

Veja:

Em entrevista ao Metrópoles, a psicóloga clínica e social, Flávia Borges, explica que ainda não existem evidências científicas que comprovem que o uso de bebês reborn esteja relacionado ao estímulo ou alimentação da pedofília.

“Eles são usados, por exemplo, no tratamento de luto gestacional, infertilidade ou como objetos transicionais que auxiliam na regulação emocional. O problema surge quando há uma distorção do uso original, como no caso de bonecas com características infantis criadas com finalidade sexual — que não são reborns terapêuticos, mas sim produtos controversos e condenados por especialistas”, explica.

Ela explica que é importante distinguir as bonecas reborn que são feitas para simular maternidade simbólica ou acolhimento emocional das usadas para alimentar fetiches sexuais. Apesar da clara diferenciação, é importante manter sempre o debate em alerta para que não ocorra o desvio de uso e nem a fabricação dessas bonecas para outra finalidades, como a criança com “buracos” como indagado através do internauta.

Polêmica das bonecas sexuais infantilizadas

Em 2018 a Amazon foi envolvida em uma polêmica por ter bonecas pornográficas de aparência infantil comercializada em seu site. Os modelos estavam sendo vendidos livremente no site por terceiros no Amazon Marketplace. Os produtos foram retirados depois de mobilização de associações de direito das crianças da França.

Um outro caso que reflete na tematica é do japonês Shin Takagi, pedófilo confesso, dono de uma marca que produz bonecas de borracha que se parecem com crianças. Takagi chegou a alegar que essas bonecas “salvam” milhares de crianças de sofrerem abuso sexual.

Flávia refuta a afirmação do fabricante e reforça que não existe um acordo cientifico de que objetos substitutivos poderia funcionar como “válvula de escape” e impedir crimes.

“Não há base científica para considerar que o uso de bonecas com aparência infantil evite o crime. Pelo contrário, há indícios de que possa reforçar fantasias desviantes. A única abordagem eficaz e segura é o tratamento especializado, com psicólogos e psiquiatras capacitados para lidar com parafilias.”

Popularização no Brasil e alta demanda

Conhecido por sua aparência extremamente realista, o brinquedo é confeccionado à mão para se tornar o máximo parecido a bebês verdadeiros. A nova febre conquista colecionadores e também serve como apoio emocional para quem enfrenta luto, infertilidade ou solidão.

Os bebês reborn se popularizaram no Brasil no começo dos anos 2000, e o interesse através do produto não para de crescer no país. Existem mais de 1,3 milhão de pessoas acompanhando páginas dedicadas ao tema. Com valores que variam de R$ 850,00 a quase R$ 6 mil, cada peça demanda até 15 dias de trabalho artesanal.

Com informações Metropoles

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