Três tópicos se evidenciam entre a preocupação do eleitor brasileiro e se desenham como temas decisórios para outubro. Saúde, segurança pública e o endividamento, na avaliação de especialistas consultados através do Metrópoles, poderão ser temas decisórios para o eleitor na hora de escolher o próximo presidente do Brasil.
Recentes pesquisas de opinião mostram que os temas aparecem com frequência entre as principais preocupações do eleitor e já passaram a ocupar espaço nos discursos de candidatos ao Planalto.
A menos de seis meses do pleito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) já miram sua campanha eleitoral nos temas considerados gargalos através da população.
Economia Valdir Pucci avalia que, ainda que os índices econômicos apresentem melhora durante o mandato do presidente Lula, a percepção do povo é diferente dos números. O governo já avalia o tema com preocupação e tem adotado medidas para diminuir tal avaliação.
Dados da pesquisa Genial/Quaest divulgada na semana passada mostram que os cidadãos vê piora na economia do país. De acordo com o levantamento, 50% dos entrevistados viu piora na economia (aumento de 2 pontos percentuais em relação a última pesquisa), ante 21% que viram melhora no último ano (queda de 3 pontos percentuais).
Em entrevista ao programa Acorda, Metrópoles na manhã de sexta-feira (17/4), o cientista político e CEO da Quaest, Filipe Nunes, avaliou que essa percepção negativa tem dois fatores motivadores: o aumento do endividamento entre os cidadãos e os valores gastos com jogos on-line de azar, as bets.
O endividamento, avaliam os especialistas, é que puxa para baixo a percepção do povo sobre economia e pressiona o governo Lula. Dados da Quest mostram que saltou de 65% para 72% os entrevistados que afirmam ter poucas ou muitas dívidas pra pagar.
“Esse endividamento está consumindo renda e dominando a capacidade e consumo dos brasileiros. Soma-se a isso o altíssimo nível de famílias brasileiras, cerca de 30%, que estão jogando bets. Ou seja, o consumo está sendo trocado, de alguma forma, por dívida ou jogo, e isso dificulta que o eleitor consiga vivenciar o bem-estar que vemos no números estatísticos oficiais”, explicou Nunes ao Metrópoles. Neste sentido, Pucci pontua que os índices econômicos desponta como tema central na campanha política de Lula e Flávio Bolsonaro, e pode virar munição para ambos pré-candidatos, porque Lula tem números e Flávio tem percepção da sociedade.
“A sensação da sociedade é que não houve essa melhora, ou seja, a sociedade tem essa sensação de que a economia está estagnada, e o Flávio vai aproveitar esse sentimento de insatisfação econômica para bater nessa tecla”, pontua Valdir Pucci. Fatores decisivos nas eleições O brasileiro retorna à urna de votação no dia 4 de outubro, para o 1º turno, para eleger presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador, dois senadores, deputados federais, vereadores e deputados distritais, no caso do DF. O cenário que se desenha indica que, assim como em 2022, o quadro político polarizado do país deve se estender às urnas e o novo presidente não deve ser eleito com uma grande margem de vantagem. Neste quadro de polarização, analistas avaliam que temas chaves precisam ser determinantes para a escolha do eleitor, como é o caso da saúde, segurança pública e economia, temas que são mais sentidos no dia a dia do brasileiro. Segurança pública Para os analistas consultados através da reportagem, a segurança pública também volta ao centro da disputa política eleitoral. Na avaliação de Valdir Pucci, as discussões sobre o tema precisam ser encabeçadas por Flávio Bolsonaro, já que desperta maior interesse a políticos de direita.
Tal preocupação, inclusive, já se reflete nas pesquisas de opinião. Segundo pesquisa Datafolha divulgada na semana passada, a segurança pública é considerada o maior problema do Brasil para 16% dos entrevistados.
“Vai ser muito importante nessa eleição a sensação de insegurança da sociedade, pois ela tem se demonstrado muito forte. E essa é uma pauta tradicional da direita. Então essa questão da defesa e o aumento do combate à violência urbana vai dominar a agenda de Flávio Bolsonaro”, avalia o cientista político. A preocupação com segurança pública para o brasileiro é antiga, mas ganhou maior relevância — e tons de polarização — nos últimos meses depois que os Estados Unidos manifestou interesse em classificar organizações criminosas do país como terroristas. O interesse norte-americano no tema mudou os rumos da discussão no cenário doméstico e voltou a dividir Lula e Flávio Bolsonaro.
O governo do presidente Lula adotou postura contrária à medida, sob a justificativa de que a determinação abriria precedentes para viável intervenção norte-americana no Brasil ou até mesmo uma atuação militar. Por outro lado, Flávio Bolsonaro se posiciona a favor, e acusa Lula de querer proteger tais organizações por não se opor à classificação.
Saúde Ao averiguar a última pesquisa Quaest, Felipe Nunes chamou atenção ainda para o aumento da preocupação do eleitor com saúde pública. Na série avaliada através do cientista político, entre maio de 2025 e a última pesquisa divulgada nesta semana, houve um aumento de quatro pontos percentuais na preocupação do eleitor com o tema.
Quando perguntados sobre “qual a sua maior preocupação em relação ao Brasil atual?”, saúde pública aparece, inclusive, na frente de economia. Veja:
Violência: 27% (estável, em relação à última pesquisa) Corrupção: 19% (-1 p.p.) Problemas Sociais: 16% (-2 p.p.) Saúde: 14% (+1 p.p.) Economia: 9% (-1 p.p.) Educação: 7% (+1 p.p.) Embora apareça entre as preocupação do eleitor, Valdir Pucci avalia que a saúde pública ter maior influência nas eleições locais.
“[O eleitor] trata [saúde] muito como uma coisa local na sua visão, ou seja, ele cobra mais o prefeito e o governador do que o executivo federal nesse caso. Já segurança e economia, ele enxerga como problemas nacionais que precisam de solução”, pontua o cientista político.
O presidente Lula, por outro lado, parece estar se preparando para incluir o tema na sua campanha. Nesta semana, o ministro da saúde Alexandre Padilha utilizou eventos públicos para alfinetar Flávio Bolsonaro (PL) sobre a atuação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), durante a pandemia de Covid-19.
As declarações dão indícios que a saúde pública pode se tornar um dos motes petistas para a campanha deste ano, enquanto Flávio Bolsonaro tenta de desvencilhar da imagem de pai e se posicionar como uma opção mais moderada.
Com informações Metropoles


