Com a soma de oito relatos oficiais, o caso envolvendo o médico psiquiatra de Marília investigado por crimes sexuais se tornou ainda mais delicado. Um dos registros — feito quinta-feira agora (16) — foi tipificado através da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) como estupro consumado.
O profissional age em consultório particular na zona oeste da cidade, atende por convênios médicos e também presta serviços à rede pública de saúde da área. Ele é alvo de várias denúncias, que começaram a se acumular a contar do primeiro relato, divulgado com exclusividade e em primeira mão através do Marília Notícia.
Sete possíveis vítimas relataram importunação sexual, com contatos físicos e íntimos não consentidos, seguidos de constrangimento.
O novo registro é de uma paciente que afirmou ter sido vítima de estupro, com conjunção carnal sem consentimento, durante atendimento clínico.
De acordo com a delegada Darlene Costa Tosin, responsável através do caso, a mulher procurou a unidade que tem especialização e descreveu em detalhes o que, em sua versão, teria ocorrido na consulta. Ela contou que estava sozinha com o médico, sem a presença de secretária ou outro empregado na clínica, e que teve receio de reagir.
“Ela disse que não pediu socorro, evitou gritar, porque estava sozinha com ele. Teve medo e só queria que aquilo acabasse o mais rápido possível. Saiu desnorteada e precisou ser socorrida com uma crise de ansiedade intensa no mesmo dia”, declarou a delegada.
Conforme o depoimento, a paciente chegou a ser atendida em um hospital da cidade, mas a polícia não foi acionada na ocasião. Unicamente depois da sequência de denúncias já registradas, ela decidiu procurar a DDM e relatar o que supostamente ocorreu.
Ainda segundo a delegada, a mulher estava em acompanhamento por sofrimento psíquico, fator que pode ter contribuído para que não buscasse ajuda policial de imediato.
Com a formalização na DDM, o caso passou a ser investigado como estupro consumado, conforme previsto no artigo 213 do Código Penal. A pena para esse tipo de crime varia de seis a dez anos de reclusão, podendo ser ampliada caso fique comprovada a condição de vulnerabilidade emocional da vítima.
Inquérito avança
A delegada confirmou que novos depoimentos continuam sendo colhidos e que o inquérito já reúne, até o momento, oito mulheres com relatos semelhantes. As denúncias apontam, supostamente, para abraços forçados, beijos sem consentimento, toques e comportamentos de conotação sexual durante os atendimentos.
“O procedimento é lento porque estamos ouvindo cada vítima com riqueza de detalhes. Mas reforço: tudo é feito com total sigilo. Nenhum nome, idade, profissão ou endereço das vítimas é divulgado. Elas são atendidas em espaço separado, com respeito e acolhimento”, completou a delegada.
Repercussão
Diante da forte repercussão do caso, a Prefeitura de Garça pediu o afastamento preventivo do médico, que atuava no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) da cidade. A Associação Hospitalar Beneficente do Brasil (AHBB) — responsável através da gestão de parte da Saúde no município — informou, inicialmente, que aguardava parecer jurídico para deliberar sobre a situação. Depois de análise do Departamento Jurídico, a entidade optou através da rescisão do contrato com o profissional.
O médico também foi afastado da Unimed Marília. Em comunicado enviada ao Marília Notícia, a cooperativa afirmou ter adotado providências imediatas depois de tomar conhecimento das denúncias. “O profissional foi afastado de suas atividades na cooperativa até que o processo seja devidamente concluído pelas autoridades competentes”, declarou a instituição.
De acordo com a defesa, o psiquiatra nega todas as acusações. Em manifestações anteriores ao Marília Notícia, ele teria declarado não compreender os motivos pelos quais foi citado nos relatos.
Sexta-feira agora (17), procurado outra vez, o advogado que representa o médico afirmou que ele ainda não foi notificado de forma oficial e que só irá se manifestar no inquérito.
Faça parte de nosso grupo de WhatsApp. Entre aqui!
Nova denúncia contra médico relata estupro em consulta; defesa de psiquiatra nega
Com informações de MariliaNoticia


